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“A loucura da fome”: neuropsicologia e Holodomor (1931 a 1933)

A loucura, segundo Basaglia (1985), t em duas faces: a experiência psicopato lógica e a condição de exclusão. E por mais que a fome pareça se reduzir a uma dimensão biológica e psicológica, ela deriva da condição de miséria . A exclusão social de nada possuir, nem mesmo o básico como trabalho, moradia ou alimentos, impede a compreensão de si mesmo como pessoa humana. A condição de privação extrema é relatada cientificamente como predecessora de distúrbios mentais , cuja maior incidência nos miseráveis e desnutridos deve ser compreendida a partir da articulação de elementos cognitivos, afetivos e sociais . O primeiro estudo que se utilizou de técnica de neuroimagem para analisar a associação entre pobreza e função cerebral foi realizado em 2015 por Kimberly Noble, e desde então tem-se evidências de que a pobreza e a desnutrição afetam a morfologia cerebral e o desenvolvimento dos sistemas de atenção, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, linguagem e sistema regulatório - refer...

Impactos psicológicos da quarentena

Síntese do artigo “ The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence ”, de Samantha K Brooks e Gideon James Rubin (2020) https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0140673620304608#fig1 De 3166 estudos revisados, citações de 24 deles foram incluídas no artigo - tais estudos foram realizados em dez países e incluíram pessoas com SARS (11 estudos), Ebola (cinco), pandemia de influenza H1N1 de 2009 e 2010 (três), síndrome respiratória do Oriente Médio (dois) e influenza eqüina (um). Um desses estudos relacionou-se ao H1N1 e ao SARS. foram relatados que 29% das pessoas apresentaram sintomas de estresse pós-traumático, e 31% tiveram depressão após o período de isolamento; 28% dos pais em quarentena relataram sintomas de algum distúrbio de saúde mental relacionado ao trauma; os estudos relataram, durante e após a experiência de isolamento, sintomas envolvendo depressão, estresse, irritabilidade, insônia, raiva e exaustão emocional - se...

GAP

as terapias pedem pra identificar os pensamentos automáticos. não consigo agarrá-los são quase uma lenda - dessubstanciais nem acho que sejam possíveis e paupáveis a ponto de eu conseguir com razoável esforço alcançá-los o gérmen é incognoscível   e parece brotar como ideia inata  é uma certeza sensível apenas antes de qualquer alcance racional reflexível  chispas ininterruptas, de constituição muito básica  elemento muito frívolo  tão simples e óbvio que as sinapses corrompem a interpretação  é anterior à criação do signo - é à prova de sistema de códigos  um organismo trivial que infecta sem grandes burocracias, apenas uma corrente e um espaço curto de convulsão  e então, feito   o corpo que percebo não ser eu se aquieta. selpucro fisiológico. essa cara não é minha. eu não tenho fronte não passa de um meio, um paliativo, um veículo montado às pressas.  moderno prometeu - se faz presentificado apenas pra que ha...

dia 7

como como você ousa não estar melhor reestabelecida resistente forte vacinada imunizada  à prova de curada ninguém seria estúpido de baixar as doses. e você continua começando as frases com “eu”.  você tem feito tudo o que eles criaram. é a significação posterior de recorrência . o antes resiste e vem-a-ser. as palavras-ferramentas ganham contornos pouco anatômicos, e arregaçam as palmas suadas que tentam permanecer esse lugar esse cantinho onde você pinta um equilíbrio. esse vértice onde você está mal de uma maneira estável  dessa forma você pode responder convicta que tudo bem e engavetar o predicado porque realmente os padrões são em termos do suportável:  menos pior, o moderadamente incômodo  mas então.  os manuais são fábulas de cobaias sencientes e dopadas. é - ateoricos, mecânicos e compartimentados. os manuais criaram essa manada que berra o pragmatismo eufemista dos transtornos. muito cuidado em esculpir o lugar-nenhum. a não-...

O DSM e o problema dos nomes sem sujeitos

" Diagnóstico desligado de uma reflexão semiológica é apenas descrição sem narrativa. Diagnóstico sem intervenção é apenas classificação sem ordenamento. Diagnóstico desprovido de etiologia é apenas redescrição sem finalidade. A razão diagnóstica depende, portanto, do funcionamento articulado dessas categorias como pressuposições dos atos clínicos, o chamado ato diagnóstico - o que caracterizaria uma ultrapassagem do campo diagnóstico".  Dunker, 2011 Mais fortemente a partir de sua terceira edição (1980), o DSM  (Diagnostic and Statistic Manual)  pretende um caráter universal sustentado no ateoricismo, no descritivismo e nas estatísticas. No entanto, esse ateoricismo lhe confere uma utilidade operacional, em que classificações são instituídas apenas com base no observável e empiricamente acessível dos transtornos psíquicos, ignorando o olhar e o contato clínicos, bem como a narrativa pessoal do sujeito e a dimensão integrada da possível patologia.  Ao ser convertido ...

A psicopatia e a "medicalização do mal"

O conceito de psicopatia, mesmo atualizado sob a égide supostamente neutra e objetiva do Transtorno de Personalidade Antissocial, ainda se ancora nas justificativas históricas de desvio de caráter e anomalia moral. Henriques (2009, 2014) aborda a psicopatia como a própria " medicalização do mal operacionalizada pela psiquiatria"  e questiona: como proceder nesse caso, na qual os seus signos praticamente se reduzem à maldade e à crueldade e para a qual não há tratamento médico eficaz? A partir de uma perspectiva fenomenológica da psicopatologia,  a psicopatia refletiria uma alteração primária da “consciência moral” (Gewissen é o termo em alemão), na ausência de qualquer “alteração da consciência da realidade” (lucidez / vigilância) ou da “consciência do Eu” (autoorientação) . Ou seja, os considerados "psicopatas" teriam plena consciência de suas transgressões, mas também um completo desprezo por regras e normas morais. Quanto a isso, pontuo: A natureza desse desprezo...