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Mostrando postagens com o rótulo transtornos mentais

Pedofilia: o transtorno psiquiátrico e as influências culturais

Certamente a palavra “pedófilo” evoca a imagem de um homem de cerca de meia-idade, solitário e arbitrariamente mau. Embora a cultura universalmente fetichize traços infantis e adolescentes (principalmente em mulheres), e, ainda, em dezenas de países orientais seja comum o casamento entre crianças e adultos - e de fato o padrão de desejo sexual seja por isso influenciado -, a pedofilia consta no DSM-V como perversão sexual caracterizada pela atração sexual por crianças pré-púberes, gerando “sofrimento e prejuízo significativo por fantasias ou atitudes no nível comportamental, incluindo o consumo de pornografia infantil e/ou cometer crimes de abuso sexual infantil”; o portador deve ter ao menos 16 anos de idade e ser, pelo menos, cinco anos mais velho do que a criança ou crianças. A pedofilia possui tipo exclusivo e tipo não-exclusivo, em função de haver atração também por adultos (Schiltz et al., 2007).  Estima-se que aproximadamente 1% da população mundial preencha os crité...

Gênero e imperialismo psiquiátrico

Quando foi descoberto que a determinação social influenciava tanto quanto a biológica na manifestação e no curso dos transtornos mentais, os estudos se voltaram para esse externo - como tal cotidiano, quase sempre despercebido, pode se tornar patológico? Diferenças extremas de prevalência e de natureza dos transtornos foram constatadas entre os gêneros: mas quanto disso seria de responsabilidade da neuroanatomia, e quanto se daria pela imposição de papéis sociais? (é importante frisar que ambos os fatores se influenciam mutuamente). A literatura está repleta de antigas doenças específicas das mulheres; a “histeria” descrita por Freud no início do século XX é decerto a mais conhecida. Irigaray (2017) aprofunda sua crítica à psicanálise na patologização de reações naturais à opressão: a histeria (cuja etimologia em grego vem de “útero”) não seria uma loucura feminina, tampouco uma “inveja do pênis ”, e sim uma expressão nervosa e deprimida da não-adaptação à funções arbitrári...

Sobre a determinação biológica nos transtornos mentais

Trechos retirados do artigo “A  determinação biológica dos transtornos mentais: uma discussão a partir de teses neurocientíficas recentes”, de Luna Rodrigues Freitas-Silva e Francisco Ortega, 2016. “Uma vez que as poucas associações encontradas nesses estudos não foram replicas em trabalhos posteriores, os seus resultados começaram a ser ressignificados pelos pesquisadores da área. A principal hipótese elaborada para justificar a dificuldade de replicação dos resultados positivos diz respeito à participação limitada do respectivo gene na determinação do transtorno, ou seja, o marcador biológico contribui para a formação da doença, mas não é capaz de responder exclusivamente pela sua etiologia, tendo um efeito final restrito na determinação da patologia. Trata-se de um modo de compreender a herança genética que se distancia da hipótese ‘gene para o transtorno X’ e de mecanismos genéticos simples, apontando para a complexidade genética e para a e...