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08.04

Primeiro você não consegue escrever. O que se quer dizer parece contido entre barricadas, e embora você seja obrigada a engolir de volta as ideias distorcidas e protestantes, ainda não há o que se preocupar. Sua resistência ao que dá errado foi treinada em expansão. Mas come pelas beiradas , e logo você não consegue ler. Desinteressa pelas cadeias de palavras, uma irritação que só se aguda conforme voce perde o fio da meada da semântica, e decodifica automaticamente os signos sem ter ideia do que querem dizer. Nenhuma daquelas palavras parece guardar conexão com seu mundo; nesse ínterim de agonia concisa não há espaço pra comunicação. Você percebe o domo descendo . O ar rarefeito, pausado na traquéia aninhado no grito. Você sente o vácuo se enroscando nos cabelos, nos objetos, nas flores.  grito algum pode nascer.  Mas é somente quando não sou capaz de pensar que tenho a convicção de que a redoma retornou; ergo a cabeça dos lençóis febris e suspiro cara ao vidro embaçado. Não...