Costuma-se conceber livre-arbítrio como a possibilidade de escolher baseando-se unicamente na própria vontade e sem qualquer influência externa (causas determinantes). Quanto a isso: 1) sendo o homem o produto de uma triangulação dinâmica biopsicossocial (cujos elementos necessariamente interagem e se retroalimentam), o ambiente tanto molda o sujeito quanto é reflexo dele. Assim, é realmente possível apartar-se das variáveis externas no processo de escolha? 2) o fato de as opções disponíveis aos sujeitos serem elas próprias filtradas por influências sociais, culturais e econômicas, e portanto resultarem muitas vezes em possibilidades limitadas e escolhas previamente definidas, é prova suficiente de que o livre-arbítrio é uma ilusão? 3) ainda que seja possível fazer o que queremos, até que ponto realmente queremos o que queremos? Três trabalhos neurocientíficos recentes (Soon, Brass, Heinze e Haynes, 2008), revisando o experimento de Libet (1983) através de fMRI (...