Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo relato

peçonha (14.05)

“basta tratar controlar os sintomas raciocinar, ser coerente, ponderar.  é tão fácil  e se você dosar, pode até ser bonito.” existe muito mais além do sintoma encarcerado, deslocado e categorizado num dsm ou num cid. os sintomas ganham vida em pessoas . gentes vidas subjetividades experiências particularidades os sintomas ganham vida em pessoas não é mecânico ou automático ou distante. tampouco nítido como cancro que se extirpa. eles se combinam se entrelaçam se cruzam enrolados como liames flexíveis  e se tornam outra coisa  atingem outras estruturas e funções  alcançam onde você não pode discernir  e são convincentes dissimulados cínicos verossimilhantes argutos  se enraizam nos esporos dos pensamentos e você interpreta e julga através deles.  num transtorno de personalidade, o que se chama de “sintoma” parece mais um modo de ser. não há um estandarte. não há um ponto específico onde a história se bifurca são forma...

voltei (13.05)

a experiência dos estados depressivos não é percebida como algo de errado; dizer isso suporia que existe um estado diferente e variado desse. na verdade toda experiência parece apenas conferir contorno, e essa sensação (à prova do nome) é um núcleo composto. o tempo fica oco.  tem-se enfraquecida a auto-percepção elementar de ser, por si mesmo, real. todo o horror da dormência ininterrupta escapa da forma que o conceito poderia conferir - assim, não se pode passar à frente. me questiono se alguém um dia foi de fato capaz de falar da depressão... semelhante à uma toxina que cobre por completo e dissimuladamente o chão que se pretende pisar. sensação ideia movimento e ação, qualquer fluxo cabal é alcançado, infectado, desfalcado, desfalecido. e não, ainda não é o bastante relatar em termos de enfermidade física, porque dessas se conhece a causa, a maneira de manifestação, o tratamento. dessas existe um desenho, uma imagem... dessas há a ideia. e a depressão enquanto atuante...