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Mostrando postagens com o rótulo existencialismo

A aproximação entre fenomenologia-existencial e clínica psicológica

Quando Jaspers, em 1913, funda a Psicopatologia como ciência autônoma (e portanto desvinculada da clínica psiquiátrica), utiliza o  método fenomenológico,  compreensivo e descritivo, criando assim a “ psicopatologia fenomenológica ”, também chamada de Psicopatologia Geral. Aquilo que era concebido apenas como sintomatologia (e portanto objetivado e distanciado de quem o apresentava) é ampliado para a compreensão de vivência , com a preocupação de serem avaliadas exclusivamente a partir do relato e da visão do paciente (os dados em si mesmos). Como ciência predominantemente descritiva, a  psicopatologia fenomenológica não se ocupa com as causas das manifestações, embora seu emprego seja um pré-requisito para qualquer investigação causal. Essa abordagem compreende que "o discurso sobre o sofrimento psíquico não é uníssono, mas sim polifônico, cujas ressonâncias ecoam em diversos modelos explicativos dos transtornos mentais". (Henriques, 2010) Desde 1980, o discurso bio...

O eu dividido (Laing, 1960) - parte II

A segunda parte da obra discute o que vem a ser o “falso- self” do esquizóide. 4 . O self encarnado e desencarnado Sujeitos às inseguranças ontológicas anteriormente mencionadas, a questão agora deve ser entender de que forma é possível o relacionamento dessa pessoa consigo mesma e com as demais. Tal “ split”, condição existencial da psicose,  ocorre quando o indivíduo começa a identificar-se demasiado exclusivamente com a parte que ele sente desencarnada. Mas o que viria a ser esse “desencarne”? O self encarnado e desencarnado Tratam-se de dois quadros existenciais básicos;  pessoas encarnadas sentem que o próprio corpo está vivo, é real e substancial (sentindo a si mesmo da mesma forma); no caso das pessoas desencarnadas,  em momentos de tensão, as mesmas se dissociam parcialmente do próprio corpo - e mesmo agressões a esse corpo podem não causar mágoa ao indivíduo, invocando menos medo que em uma pessoa comum, porque aparentemente nada se tem a perder que e...

O eu dividido (Laing, 1960) - parte I

O eu dividido: estudo existencial da sanidade e da loucura  (1960) é uma tentativa de fuga da técnica estática da linguagem e da interpretação psiquiátrica da época. Sem aprofundar-se na literatura específica, utiliza-se da fenomenologia existencial de Sartre, Heidegger, Kierkegaard e outros, na busca por definir um lugar digno e pleno para a realização da (perda) de autonomia e do senso de realidade dos chamados esquizóides e esquizofrênicos. Faz-se ressalvas quanto a terminologias: aqui, paciente “esquizoide” tem sentido de um esquizofrênico em potencial que ainda não manifestou psicose aguda (“ ruptura entre o relacionamento consigo mesmo e com o mundo” ); “esquizofrênico” refere-se ao indivíduo em crise, e “psicopata” é tomado como sinônimo da pessoa social e medicamente considerada insana. 1. Fundamentos existenciais-fenomenológicos para uma ciência das pessoas  Laing procura, a partir da abordagem existencialista e tomando de empréstimo os avanços psicanalíticos, romper ...