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Mostrando postagens com o rótulo cérebro

o cérebro não cria o homem: o "sujeito cerebral" e o reducionismo da neurocultura

o zeitgeist do século XVII trouxe consigo o reducionismo mecanicista , no qual todo humano seria explicável por mecanismos físicos. hoje, quatro séculos depois, essa posição parece não ter sido superada - e apenas atualizada através da genética e das neurociências. friso que o problema recai não no conhecimento-objeto, mas sim na tendência instrumentalizadora que reflete o autoritarismo e o sensacionalismo científicos; isso porque o termo "neuro " foi convertido atualmente em um significante mestre , ou seja, um significante que explica quase tudo, uma etiqueta de garantia de que há nisso um saber seguro. nossa fantasia de época é o sistema cibernético - e a insistência de assemelhar o cérebro a um computador, e o humano a um andróide; assim persiste a hipótese subjacente de que tudo o que somos tem sua localização : o sujeito é topográfico, isto é, insiste-se num mapping ou escaneamento que busca o humano nos neurônios e genes. então despontam milhares de teorias sobre ge...

As neurociências da violência e do crime

A evolução dos aparatos biotecnológicos de mapeamento e imagem cerebrais suscitam a busca por uma determinação biológica do mal estar contemporâneo. "A hierarquização do cérebro como substrato empírico privilegiado na determinação da conduta arrisca desqualificar o inefável das montagens psíquicas intersubjetivas, afora a chance de negligenciar fatores sociais na origem de atitudes violentas”. (Arreguy, 2008) Concomitantemente, os avanços da psicofarmacologia, desde meados do século XX, conduziram à medicalização de descontroles emocionais comuns, tratando-os como transtornos neurofisiológicos; tal movimento traduz o paradigma do sujeito cerebral , cujas tendências localizacionista e reducionista se assemelham à antiga frenologia. O transtorno mental - vulgarizado como loucura -, foi, desde sempre, bode expiatório para sentimentos e condutas indesejáveis e reprováveis. O homem mau era louco, e vice-versa. Nisso se apoia a lógica psiquiátrica organicista do monstro moral: em 1857...

Liberdade e neurobiologia - síntese (Searle, 2004)

“ Liberdade e neurobiologia: reflexões sobre o livre-arbítrio, a linguagem e o poder político”  é composto por duas palestras de Searle, proferidas em Paris, em 2001. São uma introdução às teorias de Searle vigentes desde a década de 1970, nas áreas da filosofia da linguagem e da filosofia da mente - voltadas, nesse volume, para o livre-arbítrio e o conceito de consciência. PALESTRA 1: LIBERDADE E NEUROBIOLOGIA O problema do livre-arbítrio   “Como sabemos que não estamos sonhando, que não somos apenas um cérebro flutuando dentro de um recipiente, em que gênios malignos se divertem conosco?” Trazemos a impressão de que as explicações dos fenômenos naturais devem ser completamente DETERMINISTAS:   “...se for preciso explicar certa categoria de comportamentos humanos, parece que, de maneira característica, o fato de agir ‘livremente’ ou ‘voluntariamente’ constitui, para nós, uma experiência que torna impossível recorrer às explicações deterministas” . O desafio cétic...