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Breve histórico da “loucura”: da pré-história à clínica psiquiátrica moderna de Kraepelin

Plurissignificativa, a " loucura " reivindica espaço desde a constituição das primeiras sociedades humanas, quando a convivência e a funcionalidade do cotidiano passaram a destacar incidências discrepantes ou peculiares no comportamento de determinados indivíduos. É apenas na virada do século XVIII para o XIX que a loucura ganha status de patologia mental , sendo apropriada pelas ciências psiquiátricas e psicológicas modernas. As sociedades pré-históricas e antigas possuíam uma concepção sobrenatural da loucura (cujos resquícios perpassam a história da patologia mental e alcançam, estupidamente, o século XXI): a mesma era obra de maus espíritos e de possessão. Foram encontrados fósseis do período Neolítico cujos crânios perfurados fornecem indícios de psicocirurgias primitivas, as trepanações, com intenção primordial de exorcismo. Na Grécia e Roma Antigas (500 a. C. a 500 d. C.), as explicações naturais passaram a mesclar-se às explicações sobrenaturais. Hipócrates de Cós ...

a metaficção historiográfica em Holocausto Brasileiro (2013) [2019.1]

INTRODUÇÃO: A LITERATURA E A VIDA. O presente ensaio trabalha com a obra de Daniela Arbex, “Holocausto Brasileiro” (2013), e tem o objetivo de situá-la - e as demais obras que seguem a mesma configuração - como "metaficção historiográfica", e reiterar seu pertencimento ao âmbito literário.  Abordar obras consideradas não-ficcionais ainda é um embate quanto à sua classificação: afinal, trata-se ou não de literatura? A construção narrativa, quando utilizada em função da História, recebe pouca ou nenhuma credibilidade como literatura. Geralmente na forma romance, apresenta uma construção que tenta corresponder à multiplicidade do presente: sua matéria é o passado ainda vivo, questionável e sujeito a revisões. De acordo com “O Romance Histórico”, de Lucàks (1937), essa forma nasce no século XIX, com Walter Scott, já que ele é o primeiro autor a conceber o tempo como razão do modo de ser e agir das personagens. Para Lucàks, o romance histórico deve surtir esse efeito: mostrar aos ...