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Mostrando postagens com o rótulo gênero

Gênero e imperialismo psiquiátrico

Quando foi descoberto que a determinação social influenciava tanto quanto a biológica na manifestação e no curso dos transtornos mentais, os estudos se voltaram para esse externo - como tal cotidiano, quase sempre despercebido, pode se tornar patológico? Diferenças extremas de prevalência e de natureza dos transtornos foram constatadas entre os gêneros: mas quanto disso seria de responsabilidade da neuroanatomia, e quanto se daria pela imposição de papéis sociais? (é importante frisar que ambos os fatores se influenciam mutuamente). A literatura está repleta de antigas doenças específicas das mulheres; a “histeria” descrita por Freud no início do século XX é decerto a mais conhecida. Irigaray (2017) aprofunda sua crítica à psicanálise na patologização de reações naturais à opressão: a histeria (cuja etimologia em grego vem de “útero”) não seria uma loucura feminina, tampouco uma “inveja do pênis ”, e sim uma expressão nervosa e deprimida da não-adaptação à funções arbitrári...

o estigma na literatura sobre borderline

Quando comecei a pesquisar sobre, aos 17, eu fiquei apavorada. Principalmente depois de perguntar à minha então psiquiatra se eu poderia ter o transtorno, porque ela disse algo como “você não tem. pacientes borderline são praticamente impossíveis de tratar. eles não levam à frente terapia; eu tive uma única paciente assim e ela desistiu na segunda consulta. também não há medicação própria”.  numa primeira busca o estigma e as vinculações taxativas são tudo que você encontra, o que me leva a pensar que talvez essa literatura seja tão numerosa quanto a que se propõe a analisar profissionalmente os aspectos e razões reais do comportamento tipicamente borderline, e, infelizmente, mais acessível . e como todo preconceito, há a retroalimentação - nasce da discriminação e a propaga. essas “pesquisas” deixam nas entrelinhas que os portadores de TPB são pessoas inerentemente ruins . usando lógica básica, como você pode ser responsável pelos seus próprios sintomas, e como possu...

CONSIDERAÇÕES SINTÉTICAS SOBRE MERCADO DE MULHERES - FEMINILIDADE E PATOLOGIA

A exploração do corpo feminino sustenta a economia. E como toda mercadoria, não possui um valor NATURAL E INTRÍNSECO pelos próprios atributos. só é imbuída de valor enquanto na RELAÇÃO com outra mercadoria.  “Mulheres” - e eu falo dessa coisa a qual nos chamam e nos dizem ser, mas que na verdade foi inteira arquitetada pelo desejo fálico - são a TROCA cerne do capital.   E havendo valor apenas na relação, essas mesmas mulheres são reduzidas ao desejo externo e julgadas em termos de melhores ou piores. O mercado das mulheres só existe no sistema de DIFERENÇA entre seus objetos - mas simultaneamente EQUIVALE esses mesmos objetos no contexto de que 1) não possuem propriedades particulares e assim podem ser abstraídos de humanidade e 2) toda diferença se ancora em um elo, e como é o desejo fálico que cria o valor, é ele o responsável pelo caráter FANTASÍSTICO dotado às mercadorias.  As duas razões se entrelaçam: corpos deliberadamente criados não possuem idio...