Mesmo depois eu pouco falo . Meu rosto petrifica inexpressivo, mas sinto meus olhos e boca escorregarem pelos cantos, como um clichê de desânimo de um palhaço. Eu me sinto mesmo performática - dissociando, talvez. É curioso que quem não dissocia sabe dar nomes e caracterizar, mas não nós que nos perdemos . Então eu nunca soube como é, mesmo sentindo. Nem sempre se percebe - o externo desbota e se duvida mesmo do mais trivial. O “si mesmo” deveria ser uma dessas coisas. Nada em mim parece real; nem mesmo tudo aquilo que considero conquista nos últimos meses de terapia. Eu não passo de uma mentirosa compulsiva enganando a mim mesma, e isso fere mais por não ser minha intenção. Eu quero construir amizade comigo. Ou qualquer relação e vínculo que não esse . Quero fitar meu reflexo por mais que um descuido - e pensar que talvez eu não seja assim tão ruim . Como uma semente ruim, um joio bíblico. Durante esses anos eu matei repetidas vezes, às vezes consciente, mas g...