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Mostrando postagens com o rótulo psicopatologia

COVID-19 como impacto mental a longo prazo

A COVID-19 se revela como um problema a longo prazo à saúde mental:  as agências federais dos EUA chamam atenção para uma onda histórica de psicopatologias, entre as quais se destacam depressão, abuso de substâncias, transtorno de estresse pós-traumático e suicídio; além disso, os  já limitados acessos a cuidados e profissionais dessa área serão exacerbados pela pandemia.  Os últimos dados (2018) quanto à saúde mental dos norte-americanos  apontavam que: cerca de 1 a cada 5 adultos norte-americanos (47 milhões) apresentavam histórico de doença mental; 11 milhões sofriam de doença mental severa, tendo, portanto,  prejudicada a sua funcionalidade social. em 2017-2018 mais de 20 milhões de indivíduos apresentaram episódios de transtorno depressivo maior e ansiedade; também em 2018, 1/3 dos adultos relatou preocupação, nervosismo ou ansiedade diariamente; as mortes por overdose aumentaram mais de três vezes nos últimos 19 anos; apenas em 2018 quase 50...

A aproximação entre fenomenologia-existencial e clínica psicológica

Quando Jaspers, em 1913, funda a Psicopatologia como ciência autônoma (e portanto desvinculada da clínica psiquiátrica), utiliza o  método fenomenológico,  compreensivo e descritivo, criando assim a “ psicopatologia fenomenológica ”, também chamada de Psicopatologia Geral. Aquilo que era concebido apenas como sintomatologia (e portanto objetivado e distanciado de quem o apresentava) é ampliado para a compreensão de vivência , com a preocupação de serem avaliadas exclusivamente a partir do relato e da visão do paciente (os dados em si mesmos). Como ciência predominantemente descritiva, a  psicopatologia fenomenológica não se ocupa com as causas das manifestações, embora seu emprego seja um pré-requisito para qualquer investigação causal. Essa abordagem compreende que "o discurso sobre o sofrimento psíquico não é uníssono, mas sim polifônico, cujas ressonâncias ecoam em diversos modelos explicativos dos transtornos mentais". (Henriques, 2010) Desde 1980, o discurso bio...

O “normal” e o patológico através do conto o Alienista (Assis, 1881) e da normatividade de Canguilhem

A classificação em normal ou patológico parece cristalizada nos imaginários; entretanto, isso se dá por influência continuada dos critérios médicos modernos a que somos expostos. Como todas as tipologias artificiais, esta também serve à História e à intenção dos homens e mulheres. Quando se reflete a fundo sobre como se pode conferir ao pensamento-comportamento de determinada pessoa os status de normal ou doentio, vários são os critérios de normalidade existentes; contudo, três se destacam: o subjetivo, o estatístico e o qualitativo.  a) critério subjetivo: associa a doença ao sofrimento , logo, está doente quem se sente doente. b) critério estatístico ou quantitativo: toma o normal como sinônimo de comum , frequente, ou mais próximo à média;  c) critério qualitativo: define que o normal é aquilo adequado a determinado padrão funcional considerado ótimo ou ideal.  Contudo, falhos como toda tentativa de sistematizar ou homogeneizar àquilo que é humano, tais critérios são...

Breve histórico da “loucura”: da pré-história à clínica psiquiátrica moderna de Kraepelin

Plurissignificativa, a " loucura " reivindica espaço desde a constituição das primeiras sociedades humanas, quando a convivência e a funcionalidade do cotidiano passaram a destacar incidências discrepantes ou peculiares no comportamento de determinados indivíduos. É apenas na virada do século XVIII para o XIX que a loucura ganha status de patologia mental , sendo apropriada pelas ciências psiquiátricas e psicológicas modernas. As sociedades pré-históricas e antigas possuíam uma concepção sobrenatural da loucura (cujos resquícios perpassam a história da patologia mental e alcançam, estupidamente, o século XXI): a mesma era obra de maus espíritos e de possessão. Foram encontrados fósseis do período Neolítico cujos crânios perfurados fornecem indícios de psicocirurgias primitivas, as trepanações, com intenção primordial de exorcismo. Na Grécia e Roma Antigas (500 a. C. a 500 d. C.), as explicações naturais passaram a mesclar-se às explicações sobrenaturais. Hipócrates de Cós ...