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Mostrando postagens com o rótulo transtornos de personalidade

Auschwitz foi cometido por homens e mulheres comuns

Pouco instruído, de intelectualidade precária, corrupto, sádico, psicopata, inerentemente mau . Esse é o perfil popular de um nazista.  Porque supostamente apenas a crueldade patológica seria capaz de justificar as atrocidades cometidas de 1933 a 1945, com mais de seis milhões de judeus assassinados - embora seja impossível determinar com precisão o número de mortos. De fato outros confrontos históricos fizeram mais vítimas, mas o nazismo - principalmente seu horror materializado em Auschwitz, onde mais de dois milhões foram exterminados e famílias saíam pelas chaminés - é perpetrado como expressão mais clara da crueldade humana pela forma como essas mortes se deram: não em combate, quando os corpos que caem parecem justificados, mas na covardia e na desumanização dos campos de extermínio , projetados na teoria para atuarem como estadias de recuperação física e moral, mas postos em prática como sítios de trabalho escravo onde a maioria não chegava aos dois meses. Assim c...

o estigma na literatura sobre borderline

Quando comecei a pesquisar sobre, aos 17, eu fiquei apavorada. Principalmente depois de perguntar à minha então psiquiatra se eu poderia ter o transtorno, porque ela disse algo como “você não tem. pacientes borderline são praticamente impossíveis de tratar. eles não levam à frente terapia; eu tive uma única paciente assim e ela desistiu na segunda consulta. também não há medicação própria”.  numa primeira busca o estigma e as vinculações taxativas são tudo que você encontra, o que me leva a pensar que talvez essa literatura seja tão numerosa quanto a que se propõe a analisar profissionalmente os aspectos e razões reais do comportamento tipicamente borderline, e, infelizmente, mais acessível . e como todo preconceito, há a retroalimentação - nasce da discriminação e a propaga. essas “pesquisas” deixam nas entrelinhas que os portadores de TPB são pessoas inerentemente ruins . usando lógica básica, como você pode ser responsável pelos seus próprios sintomas, e como possu...

Sobre o splitting (cisão/pensamento dicotômico/clivagem) no borderline

A maioria dos sintomas do TPB não são “novidade” ou sentimentos que se restringem aos portadores. São pensamentos e emoções comuns, que acometem a todos, mas que em razão do transtorno, são extrapolados a nível patológico, caracterizando padrões que prejudicam a vida. Julgamentos que oscilam e alternância de concepções são características humanas: nada mais ordinário que mudar de opinião. Acontece que para os portadores de TPB, por ser um SINTOMA e não estar sujeito à vontade e opção, isso acontece com muito mais frequência e intensidade. É a esse padrão de pensamento dicotômico e maniqueísta, em geral antagônico, que chamamos de “ splitting ”. Em tradução livre quer dizer “divisão, ruptura, rachadura”. Nós temos a capacidade de pensar em meio termos, possibilidades e transições prejudicada. E isso, friso como sempre, não depende de uma simples escolha; ser incapaz (ao menos momentaneamente, já que a terapia elabora estratégias cognitivas e comportamentais) de avaliar ...

TPB E RELACIONAMENTOS - e como são comuns os abusos

Sendo bem categórica, a maioria das pessoas não quer se relacionar conosco.   “ Querer ”, em um relacionamento, envolve mais que atração ou status. Envolve ação e doação - estar disposto a deixar sua zona de conforto se necessário e a fazer concessões visando o entendimento mútuo; estar disposto a alterar convicções infundadas e ter a intenção consistente de permanecer. É comum que os portadores passem por diversos abusos enquanto o quadro não se estabiliza com o tratamento. O abuso infantil é determinante pra solidificação do transtorno, mas o foco do texto são os abusos posteriores . As emoções intensificadas e o medo do abandono costumam ser conclusivos pra uma posição, NÃO PROPOSITAL, de dependência emocional e submissão. Em geral os portadores não possuem rede de apoio satisfatória, e por isso os relacionamentos costumam assumir posição central e de controle sobre a vida, respondendo aos padrões de instabilidade que refletem a patologia. Essas pessoas são ele...

IRA NO BORDERLINE (BORDERLINE RAGE)

normalmente, o que chega ao público sobre o TPB são as manifestações de agressividade, como se isso definisse o PORTADOR (julgamentos morais e direcionados mais ao caráter que ao transtorno) e acontecesse sem justificativas e em tempo integral. como eu sempre digo: o que acontece ao indivíduo com TPB não é novo ou exclusivo, e sim intensificado até o nível patológico. uma dessas questões, pouco debatidas objetivamente e sim por meio de preconceito e do menosprezo - é a “raiva”. há quem chame de raiva, mas com vistas a minimizar o problema semântico eu prefiro nominar de “ira”. porque não é uma raiva comum, concernente a qualquer pessoa em situação de estresse, cujo motivo e objetos se identificam bem, e cuja duração não ultrapassa algumas horas até que o sistema se reorganize e a pessoa desopile, resolva o incômodo ou apenas espere dissipar. porque para a maioria, as emoções mais efusivas logo desvanecem num processo natural. No caso do TPB, toda emoção é amplificada e...