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Mostrando postagens com o rótulo borderline

a personalidade como-se: o borderline na clínica psicanalítica de Deutsch e Winnicott

Abordadas por Deutsch (1942) em relação à “ personalidade como-se”, as noções de falso self ganham notoriedade com Winnicott (1949/1960), sendo centrais para O Eu Dividido de Laing (1960) e utilizadas como chave para compreensão dos tipos esquizofrênicos na clínica psicanalítica. Antes de tudo, uma consideração íntima: costumo interpretar as argumentações psicanalíticas tradicionais com um certo resguardo de licença poética; isso porque se tratam de processos esmiuçados de maneira profundamente complexa, mas que não se perdem da própria lógica; apesar do caráter de pseudociência que reitero , o discorrer psicanalítico  assume um modo de prosa poética, irmanado à abordagem fenomenológica que foca no sujeito doente como existência válida. A clínica confere dignidade àquele que sofre, centralizando a totalidade da pessoa observada numa outra linguagem. A evolução sócio-histórica do transtorno de personalidade borderline lhe conferiu o título de “personalidade como-se” (tamb...

borderline: comorbidades e etiologia

os transtornos de personalidade, apesar de seus sintomas incluídos nas categorizações de transtornos mentais, exigem diferenciação dos mesmos por se tratarem de uma organização que se desenvolve em tenra idade e permanece mais ou menos estável ao longo da vida. o TP assemelha-se mais a um “modo de ser” que acarreta prejuízos em todas as dimensões existenciais do que propriamente a uma doença definida que se pode pontuar temporal e espacialmente. segundo o DSM-IV, os TPs são " um padrão de vida interna ou comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas culturais do indivíduo, manifestado em duas (ou mais) das seguintes áreas: cognição (modo de perceber a interpretar a si mesmo, outras pessoas e eventos), afetividade (amplitude, intensidade, labilidade e adequação da resposta emocional), funcionamento interpessoal e controle dos impulsos " [APA, 1994]. Já a CID-10 os define como " perturbação grave da constituição caracterológica e das tendências comportame...

peçonha (14.05)

“basta tratar controlar os sintomas raciocinar, ser coerente, ponderar.  é tão fácil  e se você dosar, pode até ser bonito.” existe muito mais além do sintoma encarcerado, deslocado e categorizado num dsm ou num cid. os sintomas ganham vida em pessoas . gentes vidas subjetividades experiências particularidades os sintomas ganham vida em pessoas não é mecânico ou automático ou distante. tampouco nítido como cancro que se extirpa. eles se combinam se entrelaçam se cruzam enrolados como liames flexíveis  e se tornam outra coisa  atingem outras estruturas e funções  alcançam onde você não pode discernir  e são convincentes dissimulados cínicos verossimilhantes argutos  se enraizam nos esporos dos pensamentos e você interpreta e julga através deles.  num transtorno de personalidade, o que se chama de “sintoma” parece mais um modo de ser. não há um estandarte. não há um ponto específico onde a história se bifurca são forma...

15 minutos

não é difícil inferir que o período pandêmico cause aumento na taxa de suicídios; o pânico quanto à infecção e a iminência da morte, o distanciamento social, a quebra da rotina, a inviabilidade de atendimento psiquiátrico e/ou psicológico emergencial (nem todos se dispõem online), estar sob a gestão do imprevisível: nós sabemos que tão cedo as coisas não serão nem remotamente parecidas, ainda que o isolamento afrouxe. e os números dos que sucumbem não serão nem mesmo números. não notificados, obituários corrompidos, causa mortis a lockdown. “manipulação” sob intenso distresse, de fato algumas pessoas ameaçam se ferir ou se matar. mas o que se julga como manipulação (e portanto de teor calculado e perverso) em geral não passa de uma tentativa pueril de rogar atenção; de suscitar preocupação em alguém que se entende como protetor. de dizer de um outro modo, desesperado e inflexível, “ por favor me ajuda, isso dói muito, eu preciso que você perceba como dói mesmo que eu não ...

18/04, 19:25

Lembro vagamente. Chorava às birras contra tomar banho, e minha mãe me empurrava gentilmente sob o chuveiro, é rapidinho . Foi buscar a toalha, fiquei sozinha com os soluços por um instante. Então, julguei que me afogaria sob o chuveiro, um pânico vário. Coisa de criança. Mas eu tenho 22 anos. O choro não cessou quando atravessei o box ou enquanto ela me secava e vestia. Não era sobre o banho, nem sob o estandarte dele - quando pareceu haver um odor pútrido emanando de debaixo da pele, e não era possível que ninguém mais desse conta. Não era nem mesmo sobre o declínio de, após muito custo aprender as atividades essenciais, havê-las outra vez perdido. era uma lástima como um ponto no espaço, incognoscível. eu ouvi vulgar o tal inexplicável mas julguei que fosse apenas questão de entrar em contato com as palavras certas. achei improvável que algo não pudesse ser transposto. não até então. porque o significado é o primeiro a se esvair.  isso não é só uma louça suja, ou um ...