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Mostrando postagens com o rótulo psicose

O eu dividido (Laing, 1960) - parte II

A segunda parte da obra discute o que vem a ser o “falso- self” do esquizóide. 4 . O self encarnado e desencarnado Sujeitos às inseguranças ontológicas anteriormente mencionadas, a questão agora deve ser entender de que forma é possível o relacionamento dessa pessoa consigo mesma e com as demais. Tal “ split”, condição existencial da psicose,  ocorre quando o indivíduo começa a identificar-se demasiado exclusivamente com a parte que ele sente desencarnada. Mas o que viria a ser esse “desencarne”? O self encarnado e desencarnado Tratam-se de dois quadros existenciais básicos;  pessoas encarnadas sentem que o próprio corpo está vivo, é real e substancial (sentindo a si mesmo da mesma forma); no caso das pessoas desencarnadas,  em momentos de tensão, as mesmas se dissociam parcialmente do próprio corpo - e mesmo agressões a esse corpo podem não causar mágoa ao indivíduo, invocando menos medo que em uma pessoa comum, porque aparentemente nada se tem a perder que e...

O eu dividido (Laing, 1960) - parte I

O eu dividido: estudo existencial da sanidade e da loucura  (1960) é uma tentativa de fuga da técnica estática da linguagem e da interpretação psiquiátrica da época. Sem aprofundar-se na literatura específica, utiliza-se da fenomenologia existencial de Sartre, Heidegger, Kierkegaard e outros, na busca por definir um lugar digno e pleno para a realização da (perda) de autonomia e do senso de realidade dos chamados esquizóides e esquizofrênicos. Faz-se ressalvas quanto a terminologias: aqui, paciente “esquizoide” tem sentido de um esquizofrênico em potencial que ainda não manifestou psicose aguda (“ ruptura entre o relacionamento consigo mesmo e com o mundo” ); “esquizofrênico” refere-se ao indivíduo em crise, e “psicopata” é tomado como sinônimo da pessoa social e medicamente considerada insana. 1. Fundamentos existenciais-fenomenológicos para uma ciência das pessoas  Laing procura, a partir da abordagem existencialista e tomando de empréstimo os avanços psicanalíticos, romper ...

Revisão sobre TPA e traços psicopáticos

Os transtornos de personalidade configuram um espectro de disposições psíquicas que dificultam ou mesmo inviabilizam relacionamentos interpessoais; o TPA (Transtorno de Personalidade Antissocial) ainda se mostra um dos TP mais complexos de ser tratado, e é comumente confundido com a psicopatia - esta não se trata de um diagnóstico, mas de um termo psiquiátrico-forense -, o que atua fortalecendo os preconceitos sobre a sintomática do TPA. A mídia colabora para a introjeção da ideia de que o TPA - rotulado sempre como psicopatia - é um desvio de caráter simplificado pelo fato inexorável de se ser terrivelmente mau.  De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V, 2014), o TPA caracteriza-se por “ uma insensibilidade do indivíduo em relação ao direito dos demais e a falta de empatia, que surgem na infância ou no início da adolescência e mantêm-se na vida adulta. Outros elementos centrais desse transtorno são a falsidade, a manipulação e o eg...