Fui internada no final de 2018. Eu estava em crise desde o primeiro semestre de 2016, mas só percebi meses depois. O humor deprimido não variava muito, ainda que o TPB tenha sua base em oscilações bruscas e breves dos estados humorais. Era como se dentro daqueles desânimo e vazio crônicos eu apresentasse episódios pouco nítidos, mas muito impulsivos, de raiva e tristeza, e nesses momentos tudo em que eu conseguia pensar era me machucar e dar um fim nisso. A automutilação acontecia uma ou duas vezes na semana e as tentativas de suicídio eram também frequentes. Eu não tinha perspectiva nenhuma de um futuro em que isso amenizasse, então toda oportunidade que eu tinha, direta ou indiretamente, tentava me ferir. Os diagnósticos que eu havia recebido até então eram errados e eu tomava medicações que não apenas não resolviam os problemas, como intensificavam os sintomas e me mortificavam fisicamente. Então eu parava por conta própria e quando se tornava insustentável um outro médico p...