Esse ensaio “ não é uma emigração real para o reino dos doentes e o que seja lá viver, mas as fantasias punitivas ou sentimentais forjadas em torno dessa situação; não a verdadeira geografia, mas os estereótipos do caráter nacional. Não pretendo abordar a doença física em si, mas o uso da doença como um símbolo ou metáfora .” Ou seja: aborda o caráter místico da enfermidade - as impressões e os preconceitos adotados popularmente e que interferem tanto na compreensão quanto no tratamento. Apesar de especificar câncer e AIDS, é perfeitamente aplicável aos transtornos mentais e à concepção de “loucura” em si. “ Embora o modo mistificador da doença seja colocado contra um cenário de novas expectativas, a enfermidade em si (outrora a tuberculose, hoje o câncer) desperta tipos de pavor inteiramente obsoletos. Qualquer doença encarada como um mistério e temida de modo muito agudo será tida como moralmente, senão literalmente, contagiosa. O contato com uma pessoa acometida por d...