Abordadas por Deutsch (1942) em relação à “ personalidade como-se”, as noções de falso self ganham notoriedade com Winnicott (1949/1960), sendo centrais para O Eu Dividido de Laing (1960) e utilizadas como chave para compreensão dos tipos esquizofrênicos na clínica psicanalítica. Antes de tudo, uma consideração íntima: costumo interpretar as argumentações psicanalíticas tradicionais com um certo resguardo de licença poética; isso porque se tratam de processos esmiuçados de maneira profundamente complexa, mas que não se perdem da própria lógica; apesar do caráter de pseudociência que reitero , o discorrer psicanalítico assume um modo de prosa poética, irmanado à abordagem fenomenológica que foca no sujeito doente como existência válida. A clínica confere dignidade àquele que sofre, centralizando a totalidade da pessoa observada numa outra linguagem. A evolução sócio-histórica do transtorno de personalidade borderline lhe conferiu o título de “personalidade como-se” (tamb...