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Mostrando postagens com o rótulo abuso

os impactos psicológicos da indústria pornográfica

Imagine só. Sua expectativa de vida é de 36 anos. Sua preparação para o trabalho exige uso contínuo de laxantes, anestésicos locais, imensos plugs anais e vaginais para dessensibilizar as áreas e combinações constantes de álcool e drogas sintéticas pra te manter alheia a si o bastante. Você não sabe o que deve fazer até chegar ao set , e na verdade não importa, porque você só ganha se seguir as ordens do diretor. Os contratos não passam de uma piada sobre formalidade num ambiente cuja base se constrói na ilegalidade e no crime hediondo. Praticamente todas as suas colegas estão infectadas com herpes, HPV ou alguma outra IST, têm bartolinite e cistite recorrentes, e são viciadas em alguma substância ilícita. O suicídio entre vocês é comum. São milhares de mulheres cujo denominador comum é a vulnerabilidade social propositalmente ignorada; são meninas - literalmente - provindas de famílias desestruturadas, do abuso aprendido, da educação insatisfatória e iludidas pelo mito do con...

Pedofilia: o transtorno psiquiátrico e as influências culturais

Certamente a palavra “pedófilo” evoca a imagem de um homem de cerca de meia-idade, solitário e arbitrariamente mau. Embora a cultura universalmente fetichize traços infantis e adolescentes (principalmente em mulheres), e, ainda, em dezenas de países orientais seja comum o casamento entre crianças e adultos - e de fato o padrão de desejo sexual seja por isso influenciado -, a pedofilia consta no DSM-V como perversão sexual caracterizada pela atração sexual por crianças pré-púberes, gerando “sofrimento e prejuízo significativo por fantasias ou atitudes no nível comportamental, incluindo o consumo de pornografia infantil e/ou cometer crimes de abuso sexual infantil”; o portador deve ter ao menos 16 anos de idade e ser, pelo menos, cinco anos mais velho do que a criança ou crianças. A pedofilia possui tipo exclusivo e tipo não-exclusivo, em função de haver atração também por adultos (Schiltz et al., 2007).  Estima-se que aproximadamente 1% da população mundial preencha os crité...

O critério do consentimento perdoa o estuprador

A cartada de mestre das leis patriarcais é o estabelecimento do critério “consentimento”. “ Se ela consentiu, não é crime” - ou pelo menos não tão crime ou violência quanto o caso daquela que lutou e esbravejou. A cultura é homogênea quanto à endossar e proteger comportamentos típicos de quem estupra, prostitui e agride. Mulheres nascem e são criadas num ambiente que lhes diz que a única resposta possível é “sim”.  A feminilidade é o adestramento social dessas mulheres de acordo com os desejos e expectativas dos donos do discurso, do dinheiro, e, por consequência, delas mesmas. É impossível fugir completamente de sua influência brutal mesmo depois que você a percebe e a despreza, pois ali está ela, antes e depois de você, devorando tudo aquilo que perfaz o ser mulher em sociedade. Quanto mais novas, pobres e sozinhas, mais passivas e alienadas somos, pois não há meio intelectual e material suficiente para lutar contra a feminilidade.  A possibilidade de escolha só e...

Transtorno dissociativo de identidade (“múltiplas personalidades”)

O termo “ dissociação ” é plurissignificativo (cunhado por Pierre Janet em 1880 para descrever o Distúrbio de Personalidades Múltiplas) e, no contexto psiquiátrico/psicológico, é entendido através de três naturezas distintas: a) exagero inapropriado do termo abrangendo processos executivos não-conscientes (em geral cotidianos e automatizados); b) “como coexistência de sistemas mentais separados que deveriam ser integrados na consciência, memória, ou identidade do indivíduo ”, indicando distúrbios dissociativos descritos pelas primeiras vezes no começo do século XX, por Janet, Freud, Breuer; c) experiências hipnóticas e certos distúrbios neurológicos (de consequências fisiológicas/comportamentais).  A característica central dos transtornos dissociativos é o comprometimento e fragmentação das funções de consciência, memória, identidade ou percepção. Podem ser súbitos ou graduais, transitórios ou crônicos. Há quatro subtipos principais, segundo o DSM-IV: amnésia dissociativa, fuga dis...

TPB E RELACIONAMENTOS - e como são comuns os abusos

Sendo bem categórica, a maioria das pessoas não quer se relacionar conosco.   “ Querer ”, em um relacionamento, envolve mais que atração ou status. Envolve ação e doação - estar disposto a deixar sua zona de conforto se necessário e a fazer concessões visando o entendimento mútuo; estar disposto a alterar convicções infundadas e ter a intenção consistente de permanecer. É comum que os portadores passem por diversos abusos enquanto o quadro não se estabiliza com o tratamento. O abuso infantil é determinante pra solidificação do transtorno, mas o foco do texto são os abusos posteriores . As emoções intensificadas e o medo do abandono costumam ser conclusivos pra uma posição, NÃO PROPOSITAL, de dependência emocional e submissão. Em geral os portadores não possuem rede de apoio satisfatória, e por isso os relacionamentos costumam assumir posição central e de controle sobre a vida, respondendo aos padrões de instabilidade que refletem a patologia. Essas pessoas são ele...