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os impactos psicológicos da indústria pornográfica

Imagine só.

Sua expectativa de vida é de 36 anos.

Sua preparação para o trabalho exige uso contínuo de laxantes, anestésicos locais, imensos plugs anais e vaginais para dessensibilizar as áreas e combinações constantes de álcool e drogas sintéticas pra te manter alheia a si o bastante.

Você não sabe o que deve fazer até chegar ao set, e na verdade não importa, porque você só ganha se seguir as ordens do diretor. Os contratos não passam de uma piada sobre formalidade num ambiente cuja base se constrói na ilegalidade e no crime hediondo.

Praticamente todas as suas colegas estão infectadas com herpes, HPV ou alguma outra IST, têm bartolinite e cistite recorrentes, e são viciadas em alguma substância ilícita. O suicídio entre vocês é comum.

São milhares de mulheres cujo denominador comum é a vulnerabilidade social propositalmente ignorada; são meninas - literalmente - provindas de famílias desestruturadas, do abuso aprendido, da educação insatisfatória e iludidas pelo mito do consentimento.

Dizem que elas escolheram. E também que ganham bem e se esforçam pouco; que são empoderadas e que há sempre outras opções.

Acontece que coerção não é escolha. São mulheres cuja carência social por si só alicia - até que o traficante termine diretamente o trabalho.

Traficante, sim - a Lei Trafficking Victims Protection Act (Proteção às Vítimas do Tráfico), de 2000, define como tráfico sexual “um ato sexual comercial induzido pela força, fraude ou coerção, ou em que a pessoa induzida a realizar tal ato não tenha completado 18 anos de idade.” 

Tráfico sexual não se restringe às meninas pauperrimas que atravessam o Atlântico - a “puta” da esquina é traficada sexualmente pelo processo de cafetinagem. E assim também o é com as atrizes pornôs: a pornografia nada mais é que prostituição filmada, e ambas são modalidades de estupro envolvendo capital.

Politicamente, culturalmente, socialmente, sexualmente, e economicamente, estupro e prostituição geram pornografia; e a pornografia depende do estupro e da prostituição de mulheres para sua existência contínua.” Andrea Dworkin.

Provavelmente a maioria acredita que, a despeito da condenação conservadora, o pornô e a prostituição são profissões. Assim, sob a égide liberalista de exploração legitimada, a violência é literalmente ASSISTIDA, embora tranquilamente aceita.

Ainda que a maioria da pornografia disponível e acessada seja hardcore e deixe óbvias as agressões empreendidas, ela não é apenas aceita: ela é excitante.

Essa brutalidade é desejada, benquista, procurada.

Mas é fantasia, elas estão atuando”. Fantasia acontece mentalmente; a pornografia é real e material, e se uma mulher aparece no vídeo apanhando enquanto é violada, por trás das câmeras ela está apanhando enquanto é violada. E ainda que fosse possível fingir a própria agressão, que tipo de saúde sexual é essa que busca o gozo através do sofrimento do outro?

De onde vem esse tesão pelo abuso? Como se dá esse processo de aceitação do estupro filmado? Quais as raizes dessa bestialidade moral camuflada de preferência sexual - e como isso reverbera na vida comum? 

Primeiro, é preciso entender a pornografia para muito além do acesso rotineiro ao xvideos ou ao pornhubÉ preciso entendê-la como um fenômeno que orienta uma socialização e que se ramifica para todos os aspectos afetivos e interacionais de um indivíduo. A onipresença da internet e a posse globalizada da privacidade do smartphone trouxeram a pornografia para um âmbito nem sempre intencional: você é exposto acidentalmente e se acostuma aos apelos ao ponto de normalizá-los. Isso significa que desde 1953, quando a revista playboy oficialmente inaugurou a indústria pornografica, o conteúdo mainstream/soft foi cooptado pela mídia pop, sob o disfarce de liberdade sexual feminina, bombardeando os lares comuns em tempo integral e sendo incorporado imperceptivelmente. Significa também que a indústria teve de lutar contra a própria publicidade - inovando com práticas cada vez mais violentas e degradantes, na tentativa de atrair a atenção desses clientes já acostumados ao que existia. A surface do pornô hoje é composta basicamente de feature-porn e gonzo-porn. O primeiro são aqueles filmes mais longos com um roteiro idiota por trás enquanto encaixa sexo hardcore - é geralmente consumido por casais. Já o segundo é o pornô sem roteiro - gênero que tem dominado o cenário, sendo o ápice da objetificação: não há qualquer contexto ligando as cenas, e tudo o que existe é a ode ao estupro. Termos são criados tentando especificar o tipo de violência que se deseja assistir, geralmente circunscritos na sessão sadomasoquista: ass gaping, rosebud, fistingNenhuma acomodação linguística muda o fato de que são mulheres com braços enfiados até os cotovelos nas vaginas, saindo do set com o próprio intestino escapando do ânus, logo após uma sessão de engasgamento com o próprio vômito enquanto um cara te empurra o penis garganta abaixo

É assim que o critério do consentimento perdoa o estuprador: se há a menor impressão de que houve um “sim”, nos abstemos de humanidade. Ainda que esse alguém pareça à beira da morte - afinal, isso também é optável, não?

“Bridges et al. (2010, apud D’ABREU, 2013) analisaram o conteúdo de 304 cenas de vídeos pornográficos mais populares. Os resultados indicaram que 88% das cenas apresentavam agressão física e 49% agressão verbal. As formas de violência mais comuns foram espancamentos (75%), engasgos durante a prática de sexo oral no homem (54%), insultos (49%), tapas (41%), puxões de cabelo (37%) e sufocamento (28%).”

Se esse tipo de material ocupa a maior parte da plataforma pornô, é exatamente isso que meninos de 12 ou 13 encontram quando buscam por sexo em seus celulares. Meninos de 12 anos não são sádicos como os perpetradores por trás dessa indústria, mas o trauma inicial molda suas posteriores preferências sexuais - por meio inclusive da neuroplasticidade. A adolescência é um período crítico de modelagem cerebral, e a visualização de grande quantidade de pornografia desenvolve mais tarde o que uma pesquisa italiana chamou de “anorexia sexual”: dificuldade para ter relações sexuais com um parceiro real. Isso acontece porque a) “os espectadores tornam-se menos sensíveis às imagens pornográficas, então a libido cai e, finalmente, torna-se difícil para obter uma ereção (ZIMBARDO; WILSON;  COULOMBE; 2016)” e b) o comportamento passivo feminino em conjunto com ideais de aparência corporal determinam a libido desse garoto. Os estímulos pornográficos cada vez mais extremos desgastam a estrutura e a funcionalidade cerebral subjacente: “foi encontrada uma correlação entre a quantidade de  materiais de pornografia infantil consumidas em uma semana e um menor volume de matéria cinzenta em uma parte do cérebro associada com recompensa e motivação; também foi encontrado menor processamento de atividade em uma região do cérebro associada com a estimulação sexual, assim como uma diminuição da conectividade entre o centro de recompensa e a região do cérebro  responsável por ajustar e conseguir objetivos (SHUCART, 2015).” 

A neurocientista Valerie Voon constatou atividades neurológicas semelhantes entre um viciado em pornografia e usuários de toxicodependentes: “três regiões do cérebro, amígdala, giro do cíngulo e estriado ventral, relacionadas com o sistema de recompensa e com sistema límbico, foram ativadas duas vezes mais nos sujeitos compulsivos, do que nos sujeitos saudáveis (VOON et al., 2014).” Para Love et al. (2015), em um relacionamento saudável, a expressão da dopamina acontece a partir da concentração conjunta do casal um sobre o outro, enquanto que no processo intenso de pornografia essa atenção se volta direta e estreitamente sobre imagens.

De acordo com a Associação Americana de Urologia, em Boston, homens viciados em pornografia são mais propensos a sofrer de disfunção erétil e são menos propensos a ficarem satisfeitos com a relação sexual. Os participantes tinham entre 20 e 40 anos, ou seja, não eram disfunções sexuais orgânicas, e sim o fruto de uma biologia do vício - devido à capacidade indiscriminada de selecionar de forma contínua e instantânea imagens novas e mais sexualmente excitantes. O consumo intenso de pornografia aumentaria a “tolerância” sexual, configurando expectativas irrealistas e causando ansiedade de exaurimento de libido.

Alguns dados:

  • A indústria pornografica movimenta 97 bilhões de dólares anuais 
  • Sites de pornografia são mais visitados mensalmente que a Netflix, o Twitter e a Amazon combinados
  • Em uma análise dos vídeos mais acessados, 88% continham cenas de agressão física severa
  • Uma meta-análise de 22 estudos entre 1978 e 2014 de sete diferentes países concluiu que o consumo de pornografia está associado com atos de agressão sexual física ou verbal, independente da idade 
  • 37% da internet é pornografia
  • 30 estudos revisados desde 2011 revelaram que o consumo de pornografia tem impactos negativos sobre o cérebro 
  •  Existem mais de 26 milhões de sites pornôs
  • A Indústria Pornográfica fatura 3.000 dólares por segundo
  • 40 milhões de usuários consomem pornografia regularmente nos EUA
  • 1 a cada 4 buscas do Google são por pornografia
  • Mais de 1 terço de todos os downloads feitos são pornografia
  • A cada ano são lançados mais de 13.000 filmes pornôs

Esse cérebro cujo sistema de recompensa foi remodelado não se excita mais com as mulheres reais ou com o sexo relacional: as preferências masculinas se constroem sobre a desaprendizagem do que é o sexo humano, cuja dimensão emocional e presentificada se distingue da prática restrita à fisiologia e à mecânica. É necessário mais pornografia extrema para satisfazer essa libido e, se possível, associá-la à compra e à violação de mulheres em busca desse ideal doentio. 

É assim que homens saudáveis se tornam sádicos socialmente aceitos; o desespero da indústria expande os limites da degradação humana. Em 2003, a lei que proibia pornografia com mulheres de 18 anos que aparentavam ter menos de 18 anos foi derrubada: surge então a pornografia infantil legalizada, mascarada na categoria “teens”. Mulheres aparentando idade pré-púbere e se comportando como meninas ainda mais novas, enquanto seus pais, padrastos, irmãos ou qualquer um que pareça um adulto responsável se aproveitam delas, encenando fielmente um abuso infantil. Homens que se masturbam com isso, e muitos daqueles que de fato cometem crimes sexuais contra crianças, não se encaixam no perfil psiquiátrico da patologia pedofílica: eles apenas “cansaram” do sexo comum e aproveitaram qualquer oportunidade de acesso a um corpo “diferente”. É assim também que se responde ao questionamento: a pornografia torna homens violentos, ou homens violentos procuram pornografia? Na verdade, é apenas um ciclo que se retroalimenta. 

“Ok, mas isso não é comum. E está distante o suficiente de mim pra que eu não me assuste”

Será?

Esse rapaz costumava me sentar na frente do computador e por pornô violento. Depois ele ordenava: “imita”.

Ele gostava que eu usasse rímel pra vê-lo escorrer como quando as atrizes choravam. Quando eu não soube fingir, ele fez ser real.

Ele pedia que eu segurasse o penis com as duas mãos, porque, palavras dele, “parecia uma menininha” - lê-se criança.

Ele obrigava que o sexo fosse sem camisinha e tinha fantasias sobre ejacular no rosto. 

Ele garantia que só chupava meninas virgens e que jamais transaria com aquelas que não tivessem a buceta rosa e lisa.

Ele tinha 15 anos, eu tinha 15 anos, foi meu primeiro namorado e minha primeira experiência sexual - cujo consentimento foi coagido, e as práticas foram norteadas pela pornografia violenta.

Eu não preciso dizer que essa primeira “educação” orientou e se perpetuou através das minhas experiências subsequentes, norteando minha concepção sobre relação afetiva e sexual, até que eu percebesse cognitivamente, por meio de terapia específica para vítimas de abuso sexual, que aquilo não era eu, não era natural e não deveria ser recalcado sob o título de culpa minha.

Ele queria ouvir meu “não”, ao mesmo tempo que me ensinava que esse meu “não” não podia existir pra mim. Ele se tornava mais violento frente à minha paranoia e exibia as manchas de sangue na colcha como um troféu. Ele pedia que eu postasse fotos nuas com ele pra que todos soubessem que eu era sua mercadoria. 

E a violência sexual é tão naturalizada que gera uma demência quanto à sua identificação. Ainda que eu estivesse roxa de cima a baixo e as pessoas notassem, ou que a ginecologista tenha encontrado lesões vaginais por trauma, eu não dei àquela dor o nome de estupro. Porque parecia muito raro, e distante, e diferente. Eu tinha 15 anos e era nada mais que uma menina de 15 anos, influenciável por fantasias românticas sobre ser propriedade. E ele ainda é um agressor devidamente educado pela pornografia.

E se mesmo assim você arrisca dizer que os efeitos da pornografia continuam muito distantes de você, considere sua alienação a um ponto em que ideal pornografico e sexo se tornaram sinônimos na sua vida.

O sexo ganhou um roteiro; a mesma cronologia, organização, comportamento e reações.

Grande parte das mulheres afirma não gostar de oral - o sexo conjunto que as beneficiaria sozinhas.

O clímax e o fim do sexo conjunto é a ejaculação masculina.

As mulheres também acreditam que a violência é um desejo, e não uma “educação”. E assim associam seu prazer a serem agredidas, tomando a naturalização do abuso como preferência sexual.

A pornografia revolucionou também o mercado estético e de cirurgias plásticas mundial: cada vez mais mulheres procuram por procedimentos invasivos pautados na objetificação e no padrão de artificialidade: aumento e levantamento de seios, diminuição das areolas, diminuição e simetria dos lábios vaginais, clareamento vaginal e anal, lipoaspiração e lipoescultura, recuperação do hímen, entre outros que foram e ainda serão criados. 

São só vídeos? Ou é um fenômeno complexo que se estende desde a cultura pop à criação em massa de robôs sexuais - sob a desculpa de que estes reduziriam os índices de violência e estupro?

Bonecas com aparência de criança são encomendadas, fiéis a fotos e descrições.

Bonecas sexuais se tornam esposas.

Bonecas sexuais são estupradas: Samantha, exibida no Festival de Arte Electrônica de Linz, foi agredida a ponto de ter de retornar para a fábrica. A desculpa de que é necessário a criação de seres inanimados para resguardar os atos criminosos dos homens trata esse comportamento como inevitável e o normaliza.

Essas bonecas não apenas permitem o direito ao hediondo como o encoraja. É o ideal de mulher: buracos disponíveis, corpo esculpido artificialmente, e o SILÊNCIO - consentimento ilimitado.

Elas não são humanas e não têm vontade própria. Exatamente como uma mulher deveria ser.

Por fim, há ainda aqueles que acusam o movimento abolicionista e anti-pornografico de ferir o direito à liberdade sexual, demonizando o exercício saudável do erotismo. Acontece que pornografia não guarda nenhuma relação com o erótico, tampouco com a saúde. “Erótico” refere-se a material sexualmente sugestivo ou excitante que é livre de sexismo, racismo e homofobia, e que não tem seu foco apenas na mecânica dos órgãos sexuais. Experimentos apontam que, ao contrário de imagens pornograficas, o erótico tem efeitos positivos no humor para as mulheres (1986, pp. 15–16, também ver Senn, 1993). Isso significa que a distinção entre saúde sexual e pornografia é tanto significativa como operacional - justamente porque se trata, em resumo, da distinção entre os efeitos da sexualidade humana em sua totalidade, e os efeitos do abuso hiper-dimensional e continuado - mascarado de cotidiano.


Fontes:

http://www.scielo.br/pdf/pusf/v24n1/2175-3563-pusf-24-01-131.pdf


http://www2.reitoria.uri.br/~vivencias/Numero_027/artigos/pdf/Artigo_07.pdf


https://medium.com/qg-feminista/pornografia-b4bc668a6e6e


https://www.culturereframed.org/the-porn-crisis/


https://medium.com/anti-pornografia?


https://www.google.com.br/amp/s/www.vice.com/amp/pt_br/article/pge3jm/rosebud-porno-prolapso-anal


https://medium.com/@foobartextao/traducao-confissoes-de-atrizes-de-pornografia-e-pornografos-4da260e8cadb




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